| Manuel Azaña | |
| Presidente do governo da |
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| Mandato: | 1º - 1931 a 1933 |
| Nascimento: | 1880 |
| Falecimento: | 1940 |
Manuel Azaña Díaz (Alcalá de Henares, 10 de janeiro de 1880 — Montauban, 3 de novembro de 1940) foi um político espanhol, segundo e último presidente efetivo da Segunda República Espanhola.
Além de ter sido um dos políticos e oradores mais importantes na política espanhola do século XX, foi um notável jornalista e escritor, que conseguiu o Premio Nacional de Literatura em 1926. Sua obra La velada en Benicarló, sobre a Guerra Civil Espanhola é uma interessante reflexão a respeito da década de 1930 na Espanha. Os seus Diários -feitos a conhecer poucos anos há- são um dos documentos mais importantes deste momento histórico.
Índice |
editar Etapa reformista
Nascido numa família abastada, tornou-se órfão ainda criança, tendo estudado no mosteiro do Escorial com frades agostinianos.
Licenciado em Direito pela Universidade de Saragoça em 1897. Doutor em Direito pela Universidade Central de Madrid em 1900, com uma tese intitulada A responsabilidade das multidões, concursa à Direção General dos Registros e do Notariado.
Em 1914 afilia-se ao Partido Reformista liderado por Melquíades Álvarez, sendo esse mesmo ano eleito secretário do Ateneu de Madrid. Por esse partido foi apresentado candidato a Deputado a Cortes pela povoação toledana de Puente del Arzobispo, sem sucesso. Em 1920 funda a revista La Pluma junto com quem, passando o tempo, seria o seu cunhado Cipriano Rivas Cherif e em 1922 dirige o semanário España.
Muito crítico com a Ditadura de Primo de Rivera, publica em 1924 um enérgico notório contra o ditador e o rei Afonso XIII, fundando ao ano seguinte com José Giral o partido Ação Republicana.
editar Segunda República
Participou em 1930 no Pacto de San Sebastián, gérmen do futuro governo republicano que surgiria do resultado favorável às candidaturas republicanas nas eleições municipais do 12 de Abril de 1931 e o subseqüente abandono do país por parte do rei Afonso XIII.
Nomeado ministro da Guerra no Governo provisório da Segunda República, a 14 de Abril de 1931, substituiu logo a Niceto Alcalá-Zamora como presidente do Governo provisório (em Outubro do mesmo 1931), devido à demissão deste ao ser aprovado o artigo 14 (finalmente 16) da Constituição, dedicado à questão religiosa. Durante o debate deste artigo, Azaña, que interveio na sua qualidade de deputado, pronunciou um dos seus mais famosos discursos, no que se incluía a famosa frase "Espanha parou de ser católica".[1]:
Como presidente do governo de coligação republicano-socialista leva a cabo as principais reformas previstas no programa republicano: reforma do Exército, dimensionando-o de acordo às capacidades do país e do erário público; reforma agrária; reforma do ensinamento, potenciando a pública; estatuto de autonomia da Catalunha, etc. Teve aliás tempo para estrear o seu drama La Corona.
Todas estas questões políticas, junto com a agitação social existente em grande parte do país, acarretar-lhe-ão múltiples problemas com os poderes fáticos, especialmente a Igreja Católica e parte do Exército, em concreto dos seguidores do general José Sanjurjo em Agosto de 1932. Finalmente, os acontecimentos de Casas Viejas, Castilblanco e Arnedo motivaram o seu cesse, a 8 de Setembro de 1933, por parte do presidente Alcalá-Zamora.
editar Presidência da República
A 19 de Novembro de 1933, triunfou a coligação formada pelo Partido Republicano Radical de Alejandro Lerroux e a Confederação Espanhola de Direitas Autônomas (CEDA) de José María Gil-Robles, o que trouxe como conseqüência a sua retirada temporária da política e a sua volta à atividade literária e editorial. Desta data são os livros Una política e En el Poder y en la Oposición, recopilações de discursos parlamentares.
O afastamento político durou pouco e em 1934 fundou o partido Esquerda Republicana, fruto da fusão de Ação Republicana com o Radical-Socialista, liderado por Marcelino Domingo e a Organização Republicana Galega Autônoma (ORGA) de Santiago Casares Quiroga.
A revolução de 1934 nas Astúrias e Barcelona serviu como pretexto para o acusar de instigador dos mesmos, pelo qual lhe encarceram a bordo do destróier Sánchez Barcáiztegui, ancorado no porto em Barcelona, resultando finalmente absolto no processo judiciário, acontecimento que narra no seu livro Mi Rebelión en Barcelona.
A 16 de Fevereiro de 1936, resulta vencedora a coligação de partidos de esquerda denominada Frente Popular, sendo encarregado Azaña de formar governo. Após a destituição de Alcalá-Zamora, é nomeado Presidente da República a 10 de Maio de 1936.
editar Guerra civil e exílio
O começo da guerra civil, após as suas inúteis tentativas de conscientizar as diferentes forças políticas republicanas dos perigos da sua desunião, supõe um duro golpe para Azaña. A isto é adicionada a solidão a que o relegou, em Madrid, o Governo republicano. O posterior desenvolvimento da contenda empiorou o seu estado de ânimo, como fica fielmente refletido nos seus cadernos de memórias, onde se relatam os seus desencontros com líderes do governo, como Francisco Largo Caballero e, especialmente, Juan Negrín.
A 18 de Julho de 1938, ante as Cortes reunidas em Barcelona, pronunciou o célebre discurso no que instava à reconciliação entre os dois bandos, sob o lema Paz, Piedad, Perdón.
Ocupada Barcelona pelo exército sublevado a 26 de Janeiro de 1939 e Gerona a 5 de Fevereiro, este mesmo dia retira-se a França. A 27 do mesmo mês, ao reconhecer a França e a Grã-Bretanha o governo ditatorial do general Franco, apresentou a sua demissão como Presidente da República, sendo substituído com caráter provisório por Diego Martínez Barrio.
Refugiado em Roselhão, com média França ocupada pelo exército alemão e outra média sob administração do governo títere de Pétain, é vigiado e fustigado sem cessar por agentes do regime ditatorial do general Franco, que pretendem a sua captura e deportação à Espanha. Finalmente, a Gestapo decide detê-lo. O embaixador do México frente do regime de Vichy, Luis I. Rodríguez, apercebido aparentemente pelos próprios alemães, consegue livrar ao presidente dos seus captores e transladá-lo, numa difícil viagem em ambulância, a Montauban, em primeiro lugar ao 34 da Rua de Michelet e logo ao Hôtel du Midi, onde a legação mexicana utilizou vários quartos como sede provisória e na que se refugiaram numerosos espanhóis exilados na espera de poderem fugir da França.
Azaña instalou-se com a sua esposa no quarto número 11 do Hôtel du Midi, a mesma que utilizava como moradia e escritório o embaixador (e onde há ainda uma placa que lembra esse fato). Ali, prematuramente envelhecido e esgotado pelas penúrias sofridas, faleceu a 4 de Novembro de 1940.
O marechal Pétain proibiu que fosse enterrado com honras de Chefe de Estado: somente acedeu a que fora coberto o seu féretro com a bandeira espanhola, na condição de esta fora a bicolor tradicional e em jeito algum a republicana. O embaixador do México decidiu então que fora enterrado coberto com a bandeira mexicana. Segundo conta nas suas memórias, Rodríguez disse ao prefeito francês:
| Cobri-lo-á com orgulho a bandeira do México- Para nós será um privilégio; para os republicanos, uma esperança, e para vocês, uma dolorosa lição. |
Os seus restos repousam no cemitério de Montauban (Trapeze Q, Section 7). Deixou escrito que não se movimentassem do sitio onde repousaram.
Existe a Associação Manuel Azaña, que gere uma livraria e organiza atos culturais por toda Espanha.
editar Referências
- ↑ Discurso completo em http://www.segundarepublica.com/index.php?opcion=6&id=43
editar Bibliografia
- Memorias políticas y de guerra de Manuel Azaña Díaz, Ed. Grijalbo (Barcelona) 1996 ISBN 84-253-2931-0
- Diarios, 1932-1933 : los cuadernos robados de Manuel Azaña Díaz, Ed. Crítica (Barcelona) 1997 ISBN 84-7423-868-4
- Max Lagarrigue, - “Manuel Azaña en Montauban. La ultima morada del presidente de la República española, Manuel Azaña”, em Repùblica – 70 anys després, Valencia (Espanha), 2001, pp. 64-65.
- Luís Arias Argüelles-Meres. Azaña o el sueño de la razón- Editorial Nerea. Madrid 1990 ISBN 84-86763-43-6
- Federico Suárez. Manuel Azaña y la guerra de 1936. Ed. Rialp (Madrid) 2000, ISBN 84-321-3319-1
- Fresdeval de Manuel Azaña Díaz, Pre-Textos, Valencia 1987. ISBN: 8485081846. ISBN-13: 9788485081844
editar Ver também
editar Ligações externas
- Manuel Azaña em Rojoyazul.net (em castelhano)
- Associação Manuel Azaña na França (em francês)
- Associação Manuel Azaña na Espanha (em castelhano)
- Manuel Azaña de Pelai Pagés, Universidade de Barcelona (em castelhano)
- Voz de Manuel Azaña, de Fonoteca de Radio
- Ensaios sobre Manuel Azaña (em castelhano)
- O narrador Manuel Azaña (em castelhano)
- A associação “Presencia Manuel Azaña” (França), que tem a sede em Montauban, lançou os "Dias Manuel Azaña", cada ano o dia aniversário do falecimento do Chefe de Estado, a 3 de Novembro. A associação tenta preservar a sua memória e a história Association Manuel Azaña (em francês)
| Precedido por Niceto Alcalá-Zamora |
Presidente da Espanha 1936 - 1939 |
Sucedido por Francisco Franco |
| Precedido por Niceto Alcalá-Zamora |
Presidente do governo da Espanha 1931 - 1933 |
Sucedido por Alejandro Lerroux |
| Precedido por Manuel Portela Valladares |
Presidente do governo da Espanha 1936 |
Sucedido por Augusto Barcía Trelles |
